Há tempos venho sendo cobrada pelos meus três leitores a escrever um livro.
A ideia, no começo inimaginável, foi ganhando força e chegou ao ponto de eu me decidir por escrever. Mas antes de começar precisava de férias, arejar a cabeça, fazer uma faxina no sótão da memória e deixar tudo preparado para receber as novas ideias.
Voltei das férias e perdi a inspiração. Durante semanas sequer sentei na frente do computador para escrever. Uma dúvida começava a surgir e não tardei a descobrir que estou com medo.
Escrever um livro é diferente de ter um blog ou postar textos no Facebook. Livro é coisa séria, tem cheiro e não tem tecla de backspace, fica na livraria exposto, à mercê de qualquer um.
Meus textos não são escritos em linha de produção. Eu gesto e dou à luz cada um deles e nem sempre é um processo fácil. Tenho medo (curiosamente, uma vez que me exponho tanto na net e no olhar) de expo-los aos olhos da crítica implacável. Sinto medo de deforma-los para que se adaptem ao gosto do consumidor, tal qual um produtor adapta seu vinho para que seja bem visto pela imprensa especializada.
Em um livro a minha opinião passa a ser definitiva, e definitivamente, não tenho opiniões definitivas. Diferentemente do blog, não posso alegar perda de senha se falar alguma bobagem. Além do mais vou me matar de angústia relendo os textos e pensando que “poderia ter ficado melhor” ou vendo erros grosseiros de português que não poderei corrigir.
Mas quando o imagino, a capa, as fotografias, os agradecimentos e dedicatórias de oito páginas e os textos orgulhosamente diferentes dos demais textos sobre vinho, penso que pode valer a pena e me iludo como qualquer mãe.
