Uma das coisas a respeito do Mundo do Vinho que me irrita profundamente é sobre as informações que circulam (ou não).
Os livros costumam ser exaustivamente repetitivos e os sites, da mesma forma. Alguns autores escrevem coisas que me deixam de cabelo em pé. Como falar das características das uvas como se essas fossem imutáveis, "esquecendo" da enorme gama de variações de sabores e aromas, consequencia do terroir, da manipulação das uvas na vinícola e mais uma série de fatores.
Outros apenas degustam os vinhos e lhes dão as famigeradas notas e comentários por vezes parecendo poesia, ou uma matemática precisa que misteriosamente transforma a degustação em ciência exata.
Poucos escrevem de maneira fácil, mas sem subestimar a inteligência do leitor. E ainda bem que eles existem!
Tenho alguns livros de cabeceira e autores que gosto muito.O primeiro é meu livro de consultas:
Vinhos do Mundo Todo. Bem organizado, bem dividido, traz informações úteis e é incrivelmente prático. Especialmente quando me dá aquele branco que causa um estrago parecido com o sumiço dos índios pela mesma causa.
A História do Vinho, do Hugh Johnson foi um verdadeiro achado. Estava querendo o livro havia meses, mas não tinha nem dinheiro, nem coragem de pagar R$ 250,00 por ele. Aí encontrei-o em um sebo paulista por R$50,00. Super completo e ilustrado, o livro é um show!
O Julgamento de Paris eu acabei lendo em uma cópia quando ainda fazia o curso e depois comprei o original. É um livro daqueles que te faz pensar "ah, mas então é assim que isso funciona!". Essencial. É impossível entender o vinho sem lê-lo.
Quando a "onda" do vinho biodinâmico começou, comprei o
Vinho do Céu à Terra, do Nicolas Joly. Mas não sei se pela tradução visivelmente capenga ou pela forma como ele escreve, está sendo muito tedioso lê-lo.
O
Connaisseur Acidental pretende fazer uma viagem "irreverente" pela subjetividade do gosto. Parece que o autor não chega até lá em linha reta, mas os desvios também são bastante agradáveis.
Vinho e Guerra fez-me mudar a visão que eu tinha dos franceses e perceber um bocado de coisas que não levava em conta antes do livro. O casal que o escreveu o fez de uma maneira um tanto romântica, o que me deixou meio apreensiva. Mas depois percebi que se a história contada não fosse envolvente, o leitor não poderia entender o que aconteceu.
Também tenho
O Imperador do Vinho. E, juro!, li da forma mais isenta possível. E foi com imenso prazer que em uma viagem, vi o livro num aeroporto sendo vendido junto com inúmeros outros livrecos banais por R$ 9,90. Pequena vingança, grande significado! Tenho também o
Guia Descorchados, porque preciso, mas não porque gosto. E tenho os livros do
Luís Groff (O Veríssimo do vinho!) para lembrar-me que vinho é divertido e que é preciso fazer piada de si mesmo para não se tornar um desses coitados enochatos sem escrúpulos.
Os outros livros que estão na minha mira agora são o
A História do Mundo em Seis Copos, O Vinho Mais Caro da História, Champagne, Confissões de Uma Amante de Vinhos, e Presença do Vinho No Brasil. Com esse último eu convivi por quase um ano quando trabalhava em uma loja de vinhos, mas como eram horas e mais horas trabalhando sem parar, nunca consegui lê-lo, apenas folheá-lo.
Estou digitalizando todos os meus livros e vou colocá-los à disposição na internet, no meu trabalho e em cada restaurante em que eu der treinamento. Porque se existe uma coisa que eu odeie mais que a eterna repetição de informações é a sua não circulação.